quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Livro Tipográfico versus Livro Digital


Os livros, os objectos e os mundos textuais servem como presença para aliviar a nossa ideia de finitude e mortalidade.
O livro tipográfico tem um corpo, uma pele e uma cara, nasce, cresce, metamorfoseia-se, fala sobre si, comunica, multiplica-se, pode ser mutilado. É um elemento único, mas pode ser “reproduzido”
Quando o computador substituir o livro, a informação em formato digital não estará em lado nenhum, e estará em vários sítios ao mesmo tempo, podendo assim ser mais facilmente manuseável. Assim, o conhecimento existe e sobrevive pela capacidade de manuseamento dessa informação.
O espaço social e dinâmico, onde se constroem comunidades reais, onde há partilha de ideias e de interesses, como os clubes ou os cafés, vai sendo preterido em função da Internet onde “o terceiro lugar”, espaço para além do lar e o lugar de trabalho, entre o colectivo e o individual, se constrói e se alarga para além dos condicionamentos físicos (espaço e tempo) e sociais (idade, etnia e classe social). Já não é necessário um espaço físico para a existência desse lugar onde se pode “estar”, possibilitando uma maior rapidez na troca de ideias entre uma comunidade virtual (ou real?) num espaço virtual.
O ser humano, ao escrever em papiro, em pergaminho, nas pedras, em papel, revertendo na memória mineral ou vegetal as suas próprias, pretendia alcançar a sua imortalidade, deixar a sua marca passada no futuro.
Um livro tipográfico não deve ser substituído assim, zás… como magia! Um “corpo” que demorou tanto a concretizar. Mas os seus dias de reinado têm tendência a chegar à última página.

Sem comentários: